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    Guia

    Deteção precoce de incêndios florestais: sensores, câmaras e satélites

    7 min de leitura

    Membro da equipa SEBELO a instalar um sensor de deteção precoce de incêndios florestais numa bétula, no meio de uma floresta densa

    A deteção precoce de incêndios florestais consiste em identificar um incêndio logo nos primeiros minutos, enquanto ainda é suficientemente pequeno para ser extinto rapidamente. Há três formas principais de o fazer: satélites que detetam o calor a partir do espaço, câmaras em torres de vigia que procuram fumo e sensores na floresta que medem o fumo e os gases no próprio local. Cada método vê o que os outros não veem, por isso os sistemas mais fiáveis combinam-nos.

    Porque é que os primeiros minutos decidem a dimensão de um incêndio

    O ano de 2025 foi a pior época de incêndios alguma vez registada na UE. O Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS) cartografou 1 079 538 hectares de área ardida na UE, a maior área desde o início dos registos em 2006 e quase o dobro da média de 2006-2024. Foram cartografados incêndios em 25 dos 27 Estados-Membros, e cerca de 39 % da área ardida situava-se em sítios protegidos da Rede Natura 2000.

    As condições meteorológicas, o combustível e o relevo determinam a velocidade de propagação, mas o tempo que se demora a descobrir o fogo é o único fator que um proprietário florestal pode mudar. Um incêndio comunicado quando ainda ocupa poucos metros quadrados pode muitas vezes ser controlado por uma equipa local. Um estudo sobre sensores no terreno refere que, com tempo ameno, ainda é possível extinguir incêndios até cerca de 5 hectares; a partir daí, os meios, os custos e os danos aumentam muito depressa. Para perceber de onde vêm os incêndios, leia como começam e se propagam os incêndios florestais.

    Satélites: grande cobertura, pouco detalhe

    Os satélites detetam os incêndios como pontos quentes em imagens de infravermelhos. Os novos satélites meteorológicos geoestacionários europeus (MTG) observam o continente sem interrupção: segundo a EUMETSAT, um deles varre a Europa a cada 2,5 minutos e outro cobre a Europa e a África a cada 10 minutos. O problema é a resolução: cada píxel das suas imagens abrange 1 a 2 km de terreno, por isso um incêndio tem de ficar suficientemente quente e extenso para alterar o sinal de um píxel inteiro antes de aparecer.

    Os satélites de alta resolução, como o Sentinel-2, distinguem pormenores de 10 metros, mas só passam sobre a mesma floresta de poucos em poucos dias: a cada 5 dias com dois satélites, ou a cada 2-3 dias nas latitudes médias. Nuvens densas e fumo também escondem o solo aos sensores óticos.

    • Vantagens: cobrem todos os países sem instalar nada e são excelentes para acompanhar grandes incêndios e cartografar a área ardida.
    • Limitações: os incêndios pequenos e recentes são difíceis de ver, o detalhe e a frequência raramente andam a par e as nuvens atrapalham.

    Câmaras em torres de vigia: um olho treinado que precisa de boa visibilidade

    Muitos serviços florestais instalam câmaras em torres de vigia e recorrem a software ou a operadores para procurar colunas de fumo. Na Letónia, o Serviço Florestal do Estado (VMD) está a ligar as suas torres de observação a um sistema de deteção remota: em setembro de 2024 estavam ligadas 23 torres, e as câmaras conseguem detetar fumo até 15 km de distância e enviar as respetivas coordenadas.

    As câmaras funcionam bem em paisagens abertas, mas precisam de linha de visão direta para o fumo. Colinas, copas densas, nevoeiro, chuva e escuridão reduzem o que conseguem ver, e o fumo tem de subir acima das árvores para se tornar visível. Uma revisão sobre a deteção de incêndios com IoT, publicada na IEEE Access, aponta ainda falsos alarmes causados por poeira, nuvens e objetos em movimento, bem como custos e consumos de energia elevados.

    Sensores na floresta: perto de onde os incêndios começam

    Os sensores no terreno medem o ar no sítio onde estão fixados: os gases libertados pela madeira a arder, as partículas de fumo, a temperatura e a humidade. Não precisam de linha de visão, por isso continuam a funcionar de noite, com nevoeiro e sob copas fechadas. As medições seguem por rádio de baixo consumo, como o LoRaWAN, até um gateway e daí para uma plataforma online que envia o alerta.

    Os gases são normalmente o primeiro sinal. Na experiência descrita na mesma revisão, sensores de gás colocados a 30 metros de um fogo de teste registaram picos nítidos de CO2 e de compostos orgânicos voláteis (COV) em cerca de 10 minutos a contar da ignição, enquanto sensores de temperatura e humidade a 10 metros não mostraram nada de anormal. É por isso que os sensores de incêndios florestais atuais se concentram no fumo e nos gases, e não no calor.

    A contrapartida é a cobertura: cada sensor vigia a sua envolvente, por isso a localização conta mais do que o número. Os sensores são mais úteis nos sítios onde os incêndios costumam começar: junto a estradas, caminhos florestais, parques de merendas, linhas de comboio, linhas elétricas e orlas de floresta perto de aldeias. A energia solar e um gateway LoRaWAN permitem-lhes funcionar longe da rede elétrica.

    Sensor de incêndios florestais SEBELO ao lado de um telemóvel com o mapa dos sensores
    Um sensor SEBELO e o mapa de sensores em tempo real na aplicação SEBELO.

    Comparação dos métodos de deteção precoce de incêndios florestais

    MétodoO que detetaIdeal paraPrincipais limitações
    Satélites geoestacionáriosO calor de incêndios maioresUma visão contínua de regiões inteirasPíxeis de 1-2 km; não detetam focos pequenos; nuvens
    Satélites de alta resoluçãoO calor e a área ardidaMapas detalhados de áreas ardidasSó passam de poucos em poucos dias
    Câmaras em torresO fumo visívelPaisagens abertas com boa visibilidadeLinha de visão, meteorologia, escuridão
    Sensores na florestaGases, partículas de fumo, temperaturaAlertas precoces onde os incêndios começamVigiam a sua envolvente; é preciso planear a localização

    Como combiná-los na prática

    1. Identifique onde os incêndios começam. Analise incêndios anteriores, estradas, caminhos, parques de merendas, linhas de comboio, linhas elétricas e margens de turfeiras.
    2. Coloque sensores nesses pontos críticos e deixe a visão geral às câmaras e aos satélites.
    3. Reúna todos os alertas num só mapa. Uma única plataforma de monitorização, com alertas por aplicação, e-mail e SMS, evita ter de consultar três sistemas.
    4. Defina quem intervém e teste toda a cadeia, do alerta à chegada ao local, antes do início da época seca.

    Testámos esta abordagem com fogo real, perante bombeiros e gestores florestais, em França, Espanha e Portugal. Os relatórios descrevem o que aconteceu em cada teste, por exemplo, o teste ao vivo em Meymac, França e o teste de campo em Portugal. Para uma apresentação completa do sistema, consulte a página de deteção de incêndios florestais.

    Gestores florestais e bombeiros num teste de campo de deteção de incêndios da SEBELO em Portugal
    Teste de campo da SEBELO com gestores florestais e bombeiros em Portugal.

    Perguntas a fazer antes de escolher um sistema

    • Quanto tempo passa desde o primeiro sinal de fogo até uma pessoa receber o alerta?
    • Funciona de noite, com nevoeiro e sob copas densas?
    • Como é alimentado onde não há eletricidade?
    • Há cobertura de rede na floresta ou o sistema traz a sua própria rede de rádio?
    • Os dados podem ser integrados no seu próprio software através de uma API?
    • Quem faz a manutenção dos equipamentos e com que frequência?

    Perguntas frequentes

    Qual é a forma mais rápida de detetar um incêndio florestal?

    Os alertas mais rápidos vêm normalmente de sensores colocados perto dos locais onde os incêndios começam, porque reagem aos gases do fogo em poucos minutos e não precisam de ver o fumo. As câmaras e os satélites acrescentam a visão de conjunto. Combinar os três garante rapidez e cobertura.

    Os satélites conseguem detetar pequenos incêndios florestais?

    Só às vezes. Os satélites geoestacionários varrem a Europa a cada poucos minutos, mas cada píxel abrange 1-2 km, por isso um fogo pequeno raramente se destaca. Os de alta resolução distinguem pormenores de 10 metros, mas só passam pelo mesmo local de poucos em poucos dias. São mais úteis para acompanhar grandes incêndios.

    Os sensores precisam de eletricidade ou de rede móvel?

    Não. Os sensores solares funcionam sem ligação à rede elétrica, e o rádio LoRaWAN leva os dados até um gateway a vários quilómetros de distância. Onde não há eletricidade, pode instalar-se num ponto alto um gateway solar que envia os dados pela rede móvel.

    Quantos sensores são precisos numa floresta?

    Depende do relevo e dos locais onde os incêndios costumam começar. Em vez de uma grelha regular, os sensores ficam onde o risco é maior: ao longo de estradas e caminhos, perto de parques de merendas, linhas de comboio e linhas elétricas, e na orla da floresta junto às aldeias. Um mapa de risco ajuda a definir o número.

    Fontes

    1. European Commission, Joint Research Centre — 2025 was the EU's most destructive wildfire season on record (31 March 2026)
    2. EUMETSAT — Monitoring fires with next-generation satellites from MTG and Metop-SG
    3. Chan et al. (2024), A Survey on IoT Ground Sensing Systems for Early Wildfire Detection, IEEE Access
    4. LV portāls — Valsts meža dienests paplašina attālināto uguns novērošanas sistēmu (11 September 2024)

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